A noite passada (04 de setembro) foi de muito aprendizado e troca de experiências entre médica especialista em mieloma múltiplo e profissionais e estudantes de enfermagem. O Simpósio de Enfermagem foi realizado pela Fundação Internacional do Mieloma da América Latina (IMF Latin America) e aconteceu no Centro de Convenções Rebouças de São Paulo.

 

Com o auditório cheio, Christine Battistine, presidente da IMF, recebeu à todos e explicou que o objetivo maior da instituição vai além de dar suporte aos pacientes e familiares. “Nossas atividades incluem promover encontros gratuitos com profissionais de saúde para expor e explicar as novidades no tratamento do mieloma” disse Christine ao passar a palavra à próxima palestrante. Dra. Vânia Hungria, presidente do Conselho Científico da IMF e professora de Hematologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, abordou desde a formação do mieloma múltiplo, um sério tipo de câncer de sangue, até sintomas e tratamentos, dando ênfase nos cuidados da enfermagem no manejo dos efeitos colaterais.

 

Para o diagnóstico do mieloma múltiplo é necessário realizar a eletroforese de proteínas. “É um exame que deveria estar incluso nos exames de rotina de todo mundo”, afirma a médica. Exames complementares também devem ser feitos: radiografia para detectar lesões típicas da doença e biópsia óssea.

 

Por ainda não existir cura para o mieloma múltiplo, muitos estudos com drogas para aumentar a sobrevida do paciente acontecem pelo mundo. De acordo com a fundadora da IMF na América Latina, Christine Battistini, uma das maiores lutas da Fundação e pacientes é a aprovação da lenalidomida pela ANVISA. “É uma medicação que aumenta a sobrevida e qualidade de vida dos pacientes. Apesar de estar aprovada em mais de 80 países, o Brasil, assustadoramente, ainda não tem esta aprovação”.

 

Hoje, 70% dos pacientes brasileiros são tratados com quimioterapia convencional, em que são usadas diversas combinações de medicamentos. O transplante de medula é realizado em 25% dos pacientes, e 5% não faz tratamento.

 

Experiência de enfermeira

 

Cristina Pires da Silva, enfermeira que atua no setor de quimioterapia da Clínica São Germano e tem extensa experiência no tratamento com paciente de mieloma múltiplo, explicou aos presentes que ela e sua equipe trabalham com um questionário baseado nos relatos do paciente. “Aplicamos a avaliação em cada dose de medicamento, em todos os ciclos, para podermos comparar as graduações. Qualquer queixa diferente é passada para o médico”, falou.

 

A enfermeira explicou que o principal objetivo do questionário é oferecer ao paciente uma melhor qualidade de vida. “É muito importante que nós estejamos atentos pois, muitas queixas não são feitas para o médico”, disse.

 

Para a Dra. Vânia Hungria, é essencial que o enfermeiro conheça os sintomas e efeitos colaterais da doença. “A parceria do enfermeiro com o médico permite uma melhor e mais rápida identificação da neuropatia”, finalizou a médica, agradecendo a presença e o interesse de todos os presentes.

 

Sobre a IMF

Enquanto não existe cura conhecida para o mieloma, médicos tem muitas formas de ajudar os pacientes com mieloma a viver mais e melhor. A International Myeloma Foundation -IMF foi fundada em 1990 por Brian e Susie Novis logo após o diagnóstico do mieloma de Brian aos 33 anos de idade. Hoje a IMF possui mais de 185.000 membros em todo o mundo.

A IMF LATIN AMERICA foi fundada em 2004 por Christine Jerez Telles Battistini, filha de uma paciente que, por oito anos, travou dura luta contra a doença, e Dra. Vânia Tietsche de Moraes Hungria, médica hematologista, Professora Adjunta da Disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e membro do Conselho Científico da International Myeloma Foundation desde 1998.

É a IMF Latin América quem traz aos pacientes e à comunidade médica da America Latina os mesmos serviços hoje disponíveis nos Estados Unidos, Europa e Japão, como Seminários para Pacientes & Familiares e Conferências clínicas e científicas para médicos.

www.myeloma.org.br