A atriz americana Angelina Jolie anunciou, nesta terça-feira (14), que após descobrir ter quase 90% de chances de desenvolver câncer de mama, optou pela retirada dos dois seios para reduzir os riscos de vir a desenvolver câncer de mama.  A notícia provocou debate no mundo todo. No caso de Angelina Jolie, foi detectado uma grave alteração no gene BRAC1.

Todo mundo tem genes BRCA1 e BRCA2 .A  função dos genes BRCA é reparar o dano celular e manter as o crescimento normal das células mamárias.  Mas quando estes genes contêm anormalidades ou mutações que são passadas de geração em geração, os genes não funcionam normalmente e aumenta o risco de ter  câncer de mama.

A revelação da atriz Angelina Jolie traz à tona a discussão de quem deve fazer o teste genético para mutações BRCA1 e BRCA2.
Os testes que procuram alterações/mutações  nos genes devem ser utilizados por mulheres que tem histórico de câncer familiar . “O teste é um  aconselhamento genético familiar e deve ser realizado em toda a família, lembrando que a recomendação prioritária é para aqueles  que tem histórico familiar de câncer de mama ou ovário, diagnosticados em mulheres jovens (com menos de 50 anos)  e câncer de mama em homens” , lembra  Sérgio Simon, médico oncologista do conselho científico do Instituto Espaço de Vida e chefe do setor de Oncologia do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O BRCA1 e BRCA2 são exames de “Detecção de Mutação Genética”, se a mulher estiver de acordo, a melhor indicação é a cirurgia profilática para a retirada das mamas e dos OVÁRIOS por volta dos 35, 40 anos., ou seja, depois que ela teve e amamentou os filhos.  Fazer uma mastectomia radical preventiva não é imperativo. Pode ajudar a diminuir as chances de câncer nas mamas, mas não diminui as chances de ter câncer. A  possibilidade de uma mulher sem nenhum fator de risco desenvolver câncer de mama ao longo da vida é de mais ou menos 12%.  Se pertencer a uma família portadora de mutação genética, o risco de desenvolver a doença até os 70 anos de idade salta para 80%, mas apenas de  6% a 8% do total de diagnósticos estão relacionados aos tumores de origem genética. Existem algumas populações específicas em que a incidência de câncer familiar é um pouquinho maior. Isso acontece com a população da Islândia, por exemplo, e com as mulheres judias de origem europeia, as ashquenazitas.

Recentemente a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA recomendou que somente mulheres com forte histórico familiar fossem avaliadas para teste genético para mutações de BRCA. Este grupo representa somente cerca de 2% das mulheres adultas dos Estados Unidos.
Assim a recomendação para avaliação genética é para aquelas pessoas que se encaixem em uma das seguintes situações:

• dois parentes de primeiro grau (mãe, irmãs, filhas) com câncer de mama, uma das quais tendo sido diagnosticada com idade inferior a 50

• três ou mais parentes de primeiro ou segundo grau (inclusive avós, tias, primas) diagnosticadas com câncer de mama

• câncer de mama e ovariano entre parentes de primeiro e segundo graus

• parente de primeiro grau diagnosticada com câncer nas duas mamas

• dois ou mais parentes de primeiro ou segundo graus diagnosticados com câncer ovariano

• um parente do sexo masculino com câncer de mama

Dr. Sergio ainda lembra que “Quando o teste não for realizado em toda a família ‘mutada’ ou quando a mulher que esta dentro dos fatores de risco, tem a alteração dos genes e optou por não realizar a mastectomia profilática,  deve ser incluída a Ressonância Magnética na relação de exames de rotina para acompanhamento”

Ter um membro da família com um gene anormal de câncer de mama não significa que todos os membros da família terão genes anormais, mas a família toda deve ser investigada.

Hoje (15 de maio) o  Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista ao Jornal Estado de São Paulo afirmou ser questionável a retirada dos seios como estratégia para prevenir o câncer de mama – “Como política pública, a recomendação é de que toda mulher com histórico na família de câncer deve procurar o médico e fazer um acompanhamento, a partir dos 35 anos”, afirmou. “Esse é o consenso.”.
Acreditamos  que o melhor aliado contra o câncer são a prevenção e o conhecimento. Conhecer nossos corpos, saber dos históricos familiares, realizar exames de rotina, e manter hábitos saudáveis.

Sobre o Instituto Espaço de Vida
A ideia do Espaço de Vida é que pacientes e médicos bem informados resultam em qualidade de vida, mesmo depois do diagnóstico de doenças dos mais diversos tipos. O Instituto surgiu da história de sua fundadora, Christine Battistini, ao enfrentar o câncer de mama. “Durante o período de diagnóstico foi difícil encontrar informação consistente e atualizada voltada à pacientes. As orientações eram desencontradas e escassas na comunidade brasileira”, explica Christine. O conteúdo principal do Instituto sobre doenças, como câncer de mama, câncer renal, metástase óssea e acromegalia, é apresentado em tópicos de saúde, que explicam desde o surgimento da enfermidade até seu tratamento, com vídeos e entrevistas exclusivas de especialistas para cada tema (realizadas pelo próprio Instituto). Acesse www.espacodevida.org.br , www.facebook.com/espacodevida e www.twitter.com/evidaweb .